O Hobbit: Uma Jornada Inesperada estreou mundialmente no dia 14 de dezembro de 2012. Há um tempão atrás, né? Tanto tempo que você já teve a oportunidade de assisti-lo e reassistí-lo algumas vezes e, portanto, pode ler sossegadamente as nossas considerações sobre o filme sem se sobressaltar com alguns spoilers, aqui e ali.
Eu (Ju) e a Lu temos algumas opiniões similares e outras distintas sobre o longa, mas para deixar as coisas mais dinâmicas, decidimos fazer desse post uma discussão (pacífica). Se dissermos alguma coisa que desperte ódio (ou amor) em você, deixa um comentário aí embaixo e continuaremos a discussão. A gente realmente adora dialogar ;)
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Ju: Eu tinha grandes expectativas para O Hobbit e uma semana antes já estava subindo pelas paredes de ansiedade. O motivo é que eu adoro os filmes dO Senhor dos Anéis. Eu adoro o universo da Terra Média e, principalmente, adoro a adaptação do Peter Jackson. Mas, ao contrário do que muitos amigos perguntaram, não. Eu não estava pensando que seria uma super-master-densa-dramática batalha que precede a saga. Eu já sabia que o livro tinha sido escrito para o público infantil e nunca pensei nisso como um ponto negativo. E, realmente, não foi isso que me decepcionou sobre o longa.
Lu: O Hobbit, com certeza, é uma leitura muito mais fácil e menos cansativa que O Senhor dos Anéis. Quando confirmaram o lançamento de um filme sobre esse livro eu vibrei. Imaginei "Legal. Vão precisar resumir um pouco a história, que tem muitos acontecimentos, mas tudo bem". Mas eles resolveram fazer TRÊS FILMES. De um livro. Meio exagerado, em minha opinião. Mas eu não sou diretora de cinema, então, quem sou eu pra dizer que o Peter Jackson, que ganhou Oscars o suficiente pra pendurar de enfeites de Natal na árvore, exagerou com O Hobbit, né?
A primeira parte de O Hobbit consumiu cerca de 35% do livro. E eu gostei de onde acabou, pois aquela é a parte em que eles "mudam" de cenário e que a aventura passa para um novo patamar. Mas não vou dizer como continua a história. Se você já leu, sabe bem como é... Se não, leia. Ou espere os próximos filmes.
Crétido: HMH
Ju: A primeira coisa que eu não gostei foi exatamente isso: três filmes para um livro. Talvez se fosse um livro com uma história muito complexa e cheia de entrelaçamentos. Mas não é o caso - e isso fica claro em sequências como a da reunião na casa de Bilbo, em que todo o conteúdo útil da cena foi desenvolvido em três minutos e a cena é "incrementada" para durar cerca de dez. Eu também detesto a cantoria. Desculpe, mas um dos motivos pelos quais nunca consegui ler O Senhor dos Anéis inteiro (e eu tentei, todos os três), é a cantoria. Músicas que ~surgem~ durante uma conversa ou mesmo no calor da batalha "Preciso matar esse Orc, mas ó, sinto uma canção vindo". Gosto da adaptação porque mostra o melhor da história e deixa o cansativo para trás. Mas com essa onda de três filmes, O Hobbit faz exatamente o contrário.
Lu: Dois filmes de duas horas seria o suficiente. Porque eu quero muitos detalhes em algumas partes que virão mais adiante =x. A cena da reunião é um pouco diferente no livro, embora a música seja exatamente aquela e a cena deles atirando os pratos pra lá e pra cá tenha excedido minhas expectativas. Eu gostei, ok? Acho que você não gostou deles terem emendado duas músicas também. Mas Misty Mountain Cold é o coração do início da Jornada. É a música que impulsiona os anões. Mas tenho que concordar, durante a história é meio (leia-se muito) chato você parar no meio de uma cena para ler uma música que normalmente não faz nenhum sentido. Eu pulo as músicas (fãs: me processem =P). Pulei nO Senhor dos Anéis, pulei nO Hobbit (a parte de Valfenda é “aff”)... E pularei no Silmarillon se for necessário.
Ju: Outra coisa é o ~polêmico~ 48 fps. Busquei referência em diversos lugares para entender para que raios serve esse 48 fps e a resposta é sempre "para deixar mais real". Acho que o efeito foi esse mesmo: deixou real. E eu senti que estava assistindo a novela das nove, na Globo. Para mim, essa tecnologia avançada serviu para 1) tirar o aspecto "mágico" dos cenários 2) deixar as cenas de luta e perseguição duras e, no geral, estranhas 3) mostrar melhor os erros na criação digital. O 3D foi dispensável, mas o 48 fps foi simplesmente desagradável.
Lu: Não entendo lhufas desse negócio de câmeras. Não tenho uma sensibilidade tão grande para a parte visual da coisa. Como cheguei a comentar, no cinema onde eu vi, a imagem estava um pouco anuviada, mas era o óculos 3D que era zuado mesmo. Achei bom. Não excelente, como eu achei, na época, O Senhor dos Anéis, mas bom.
Ju: Minha terceira crítica é muitíssimo pessoal. Embora o Bilbo seja o hobbit do título, quem é responsável por ligar a trama aos outros personagens é o Thorin. E eu achei o Thorin incrivelmente CHATO. É o tipo de personagem que eu quero apagar com os meus poderes psíquicos e assistir o filme ignorando sua presença. Talvez seja o ator, mas falta muito carisma nele. Ser corajoso e honrado nem sempre é o suficiente para ser interessante, como era o Aragorn.
Lu: No livro você não o acharia tão chato, porque ele é apresentado de outra maneira. A narração de O Hobbit é mais ou menos como uma avó contando uma história para os netos sentados na sala de estar, o que deixa os parágrafos agradáveis. Tem muitas tiradas engraçadas. No filme deram muita atenção para a "força" do Thorin e o mostram o tempo todo muito ranzinza, mal humorado e mandão. Ele repete muito "Bilbo não devia ter vindo" ou "Bilbo é inútil", como uma velha que reclama de tudo. Isso faz dele um cara muito insuportável. Você mudaria de opinião se lesse o livro - fica bem claro que eles estão indo atrás do tesouro e não toda essa lenga-lenga de "queremos nosso lar de volta", que deixou tudo um pouco dramático demais.
Ju: É bom dizer que eu não detestei tudo. O grande "coração" do filme foi o Gandalf. Ele é um personagem ótimo, com um ator ótimo e mesmo nas cenas em que me sentia um pouco entediada, gostava da presença e das tiradas dele, como sempre. O mesmo vale para o Gollum - a sequência dele foi muito divertida. E, por fim, gostei bastante da escolha do ator para o Bilbo. Martin Freeman captou muito bem o que é ser um hobbit e apresentou um personagem muito mais carismático que o Frodo, por exemplo.
Lu: Sim! Gandalf sempre salva o dia. Mais que As Meninas Superpoderosas (tá, não teve graça). Ian McKellen é muito divo, mas o Gandalf com certeza é um personagem especial. Quanto ao carisma do Bilbo... Dá de mil no Frodo simplesmente porque o Frodo é um saco de pessoa. As partes dele nO Senhor dos Anéis, depois que a Sociedade se desfaz, ficam muito chatas (no livro bem mais do que no filme). Já o Bilbo é um personagem cheio de... Bom, cheio do jeito hobbit de ser. E por falar em personagens, aquele orc albino me deixou pensando durante todo o filme, porque eu simplesmente não me lembrava dele no livro. E eis o porque: ele é meramente citado em uma página (na 24 - 3ª edição da editora Martins Fontes). Foi um personagem inserido no filme para aumentar o número de cenas de ação e encher alguma linguiça, contando a "história" de como Thorin se tornou Thorin Escudo de Carvalho, que eu nem sabia que era essa.
Ju: Em resumo - O Hobbit foi vítima dessa onda de "trilogização" (ok, essa palavra não existe) pelo qual o mundo passa agora. Toda história precisa "render mais" na tela, para trazer mais dinheiro, mesmo que isso prejudique a qualidade da produção. E, levando em consideração tudo o que a gente falou (de bom) das adaptações de O Senhor dos Anéis e da direção de Peter Jackson, isso é bem triste.
Depois de reclamar tanto, eu preciso dizer que não odiei o filme. Apenas me decepcionei. A diferença? Eu volto, esse ano, ao cinema para assistir a continuação. E provavelmente vou dar uma chance ao livro XD.
Lu: Uhuul, você não se desencantou totalmente! Isso já é um bom começo. Talvez, se você ler o livro, sua perspectiva sobre o filme melhore. Ou não. Eu gostei de 80%, então não tenho muito do que reclamar (Golum falando "Eggses" foi épico ;D). Aguardando ansiosamente a continuação. E bem que eles podiam lançar um agora no meio do ano e outro no final pra acabar com essa palhaçada (tá, eu sei que não é assim que as coisas funcionam, mas não custa reclamar =x).
~ Extra: Você sabe o nome de todos os anões?
Gráfico: LOTR Project
E aí, o que vocês acharam?
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Nota: Todos os gifs foram retirados do Tumblr e, obviamente, são partes do filme, pertencentes à Warner Bros



