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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Quem é Você, Alasca?, de John Green



Férias de julho sempre foi uma coisa meio deprimente lá em casa. Meus amigos da escola desapareciam e a galera da rua ia viajar com suas famílias. Sobrava eu, o frio, a preguiça e as prateleiras empoeiradas da locadora da Dona Maria. 

Passava tardes inteiras apenas "descobrindo" os filmes que gostaria de alugar. Procurava títulos desconhecidos com atores muito cultuados, adaptações de livros, filmes que sabia que me causariam muito (muito) medo e, é claro, coletâneas de desenhos como Os Cavaleiros do Zodíaco. Meu pai (pão duro) não me deixava alugar muita coisa, mas eu espremia o que podia.

Numa dessas experimentações, encontrei o filme Sociedade dos Poetas Mortos. Não sei bem quantos anos eu tinha ou quanto da história realmente assimilei, mas lembro da sensação que ela causou - o colégio interno, as subversões, o álcool, as amizades, a poesia, os esconderijos, e a busca por si mesmo... "preciso fazer mais, preciso ser mais". 

Vou chamar a tal sensação de bittersweet, porque é doce e é amarga, como aqueles momentos bons que a gente guarda na lembrança, logo antes de um desastre acontecer (e porque a tradução - agridoce - não me agrada).

Ler Quem é Você, Alasca?, de John Green, foi exatamente como dar play em Sociedade dos Poetas Mortos. Sofri minha dose de raiva, de felicidade, de admiração, de nostalgia, de tristeza e até mesmo de frustração. E ao terminar o livro, mergulhei em bittersweetness.

Mesmo sabendo que muitos leitores fogem de livros assim, seja pelo medo de se sentirem tristes ou pela necessidade de utilizarem a literatura como "escape", vou ser teimosa e indicar Quem é Você, Alasca?, simplesmente porque, acho eu, todo mundo precisa pensar no seu "Grande Talvez" de vez em quando.


~ História


Miles Halter não curte livros de ficção, poesia ou romance. Ele se interessa é por biografias. Sua parte preferida é conhecer as últimas palavras dos famosos falecidos.

E embora isso possa soar muito legal e um supercomeçador de conversas, ele não tinha amigos. Quando sua mãe o forçou a ter uma festa de despedida, antes de começar o ano em uma colégio interno, ele não se surpreendeu com a fato de que apenas duas pessoas apareceram. E, mesmo eles, não o faziam sentir-se particularmente estimulado a conviver em sociedade.

Para Miles, o novo colégio era a chance de perseguir o que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de "Grande Talvez". E, de preferência, ainda vivo.

Ele tinha razão: ele faz amizade com seu colega de quarto, o Coronel, que o apelida de "gordo" (porque ele é um magrelo, taí a graça) e o apresenta para Alasca.

Alasca é o tipo de pessoa que todo mundo conhece em algum ponto da vida. O tipo de pessoa que você vai amar descontroladamente por todos os motivos errados: ela é linda, inteligente e tudo sobre ela causa uma ereção mental em sua pessoa. Inclusive seus problemas e traumas. Principalmente seus problemas e traumas. 


Se Miles fosse o Tom, ela seria a Summer.

E é aí que Miles, ou Gordo, começa a conhecer a vida além das páginas de suas biografias. A primeira birita, o primeiro trote, os primeiros amigos, o primeiro beijo, as primeiras transgressões... 


~ John Green


Esse foi o primeiro livro publicado, lá nos EUA, pelo John Green. Num dos vídeos do Vlog Brothers ele conta que demorou cerca de três anos para finalizá-lo e que a mania por "últimas palavras" de Miles só surgiu numa das etapas de revisão. Ele também diz que a história é baseada na sua própria adolescência.

Nessa Q&A ele conta outras coisas legais sobre o livro. Mas cuidado: é regado de spoilers!


~ Coisas do tumblr





ISBN: 8578273427
Skoob: link
Editora: Martins Fontes
Nº de Páginas: 229